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E quem não tem um propósito?

há 3 horas
2 min de leitura

A vulgarização dos termos é algo muito comum em tempos de tanta tecnologia e acesso a informação.

Embora seja necessário lembrar que é bom ter esse acesso, a dificuldade aparece no esvaziamento de tudo, no empobrecimento das reflexões e na leviandade em que acabamos por viver nosso dia a dia. Considerando tudo isso, o que vai acontecer em nosso momento com nós mesmos no processo de autoanalise? Me lembrei que certa vez em uma sessão de terapia ouvi a seguinte frase: Kelly eu não gosto da palavra propósito. E, fomos entendendo que isso ocorria devido a essa vulgarização dos termos a qual me referi antes. Também penso agora enquanto escrevo que na clínica também é comum momentos de choro e desesperança por não achar nenhum propósito, por não saber qual caminho trilhar. E aí acabo por concordar com quem não gosta dessa palavra e seus signos.

Quando temos propósito me parece que além do esvaziamento, acabamos por alimentar essa dinâmica de que temos que ter objetivo, e temos que ser produtivos, e que temos que garantir nosso futuro, que é uma dinâmica do momento histórico em que vivemos que inclusive nos faz sentir culpados por descansar, culpados por desejar nos divertir, culpados pois, nossa casa e carro não é como o da influencer do momento. Esse termo portanto, além de ser usado até se esvair, ainda carrega um tanto de pesar caso a gente não consiga ser tão motivado o tempo todo, caso estejamos vivendo sem metas.

Ah mas, e o sentido hein? Sentido não necessariamente nos fará sentir pertencente, mas, com certeza tem a ver com sermos honestos e fieis a nós! Foi nesse lugar que a sessão daquele dia nos levou, e aí também reflito meio que como consequência, no quanto as pessoas que buscam terapia porque acham que precisam ter metas e objetivos e propósitos estão preparadas para o não pertencimento do sentido; sentido parece individual, parece genuíno sabe?! Mas, precisamos bancar ele.

Para bancar nosso fazer, por ter sentido e para bancar nossas ideias e modo de ser no mundo é preciso confiança, autoconhecimento, é preciso compreensão de si (as nossas coisas boas e as ruins), é preciso entender nossa caminhada com responsabilidade e comprometimento. Então concluí, não é atoa que há tanta gente procurando propósito e achando que através disso que encontrará sentido.


 
 
 

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